Fumo e Memória em Sobreviventes de Câncer de Próstata

Piopiołek A, Brzoszczyk B, Niemczuk E, et al. Smoking Habits, Physical Activity and BMI as Predictors of Cognitive and Affective Function in Patients with Prostate Cancer. Research and Reports in Urology. 2026;18:572735.

4/24/20262 min read

Imagine um paciente que superou o câncer de próstata. A alegria de estar vivo é imensa, mas ele nota algo preocupante: dificuldade para se lembrar de conversas recentes, esquecimentos mais frequentes do que antes. Esse cenário é mais comum do que se imagina entre sobreviventes de câncer. Nossos hábitos de vida, especialmente fumo, atividade física e peso corporal, têm impacto profundo não apenas na saúde do coração e pulmões, mas também no funcionamento do cérebro. Um estudo recente da Europa investigou como essas escolhas cotidianas afetam a memória e outras funções cognitivas em homens que venceram o câncer de próstata, trazendo descobertas valiosas para a prática clínica e para o dia a dia dos pacientes.

Os pesquisadores acompanharam 118 homens que sobreviveram ao câncer de próstata, coletando informações detalhadas sobre seus hábitos de vida (fumo, exercício físico, peso corporal) e sobre sua saúde mental (ansiedade e depressão). Em seguida, submeteram todos a testes cognitivos rigorosos: tarefas de memória verbal, memória visuoespacial e velocidade de reação. O resultado foi revelador: homens que fumam apresentaram desempenho significativamente pior nos testes de memória. Especificamente, fumantes atuais recordavam menos palavras em testes de memória verbal e reagiam mais lentamente em tarefas que exigem processamento visual. O excesso de peso (obesidade) também mostrou efeitos negativos, levando a tempos de reação mais lentos. Surpreendentemente, a relação entre atividade física, peso e desfechos afetivos (ansiedade e depressão) foi mais complexa do que o esperado, sugerindo que essa interação precisa de investigação mais aprofundada.

O que significa isso na prática? Para oncologistas e pacientes, esses achados reforçam uma mensagem poderosa: parar de fumar não é apenas sobre reduzir risco de recidiva ou doença cardiovascular, também é vital para proteger a saúde do cérebro após o tratamento do câncer. A memória e a função cognitiva são fundamentais para a qualidade de vida, permitindo que o sobrevivente trabalhe, mantenha relacionamentos e simplesmente aproveite a vida conquistada. O estudo sugere que estratégias de cessação do tabagismo, programas de atividade física estruturada e acompanhamento nutricional devem fazer parte do plano de cuidados pós-tratamento tão importante quanto qualquer monitoramento para detecção de recidiva. Se você é um sobrevivente de câncer de próstata ou conhece alguém nessa situação, considere estas descobertas como um incentivo adicional para cultivar hábitos mais saudáveis, sua memória agradecerá, e o resto do corpo também.