O Pulmão Agradece: Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer de Pulmão

Dr. Daniel Vargas Pivato de Almeida

1/24/20263 min read

O câncer de pulmão continua sendo uma das principais causas de morte por câncer no mundo, mas essa realidade convive com um dado poderoso: grande parte dos casos poderia ser evitada ou diagnosticada mais cedo. Três frentes se destacam quando falamos em prevenção e aumento das chances de cura: parar de fumar, rastrear adequadamente pessoas de risco com tomografia e evitar o uso de cigarros eletrônicos. Essas medidas não são opinião; são conclusões repetidas em estudos científicos, diretrizes internacionais e recomendações de grandes centros de saúde.

A cessação do tabagismo é, de longe, a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de câncer de pulmão. Fumar está diretamente ligado ao dano crônico das vias aéreas, à inflamação persistente e a mutações no DNA das células pulmonares. O que muitas pessoas não sabem é que parar de fumar traz benefícios em qualquer momento da vida. Mesmo após décadas de tabagismo, o risco começa a cair progressivamente após a cessação. Em pessoas já diagnosticadas com câncer de pulmão, abandonar o cigarro melhora a resposta ao tratamento, reduz complicações, diminui o risco de um segundo câncer e aumenta a sobrevida. Por isso, parar de fumar não é apenas prevenção primária; é também parte do tratamento. Instituições como a American Cancer Society e o National Cancer Institute são categóricas ao afirmar que não existe tratamento moderno para câncer de pulmão que seja mais impactante do que a cessação do tabagismo, quando ela ainda é possível.

O rastreamento do câncer de pulmão com tomografia computadorizada de baixa dose representa outro avanço fundamental. Diferentemente do que ocorria no passado, hoje sabemos que diagnosticar o câncer de pulmão antes dos sintomas muda completamente o prognóstico. Estudos de grande porte demonstraram redução significativa da mortalidade quando pessoas de alto risco, geralmente fumantes ou ex-fumantes, com histórico importante de tabagismo, realizam tomografia anual de baixa dose. Esse exame é rápido, indolor e utiliza menor quantidade de radiação do que uma tomografia convencional. Diretrizes internacionais e nacionais recomendam o rastreamento para indivíduos selecionados, porque detectar tumores em estágios iniciais aumenta drasticamente as chances de cura, muitas vezes permitindo tratamento cirúrgico com intenção curativa.

Ao mesmo tempo, é fundamental combater a falsa sensação de segurança associada aos cigarros eletrônicos. Apesar de frequentemente divulgados como “menos prejudiciais”, eles não são inofensivos. Aerossóis de cigarros eletrônicos contêm nicotina, metais pesados e outras substâncias potencialmente tóxicas que irritam o pulmão e mantêm a dependência química. Além disso, há preocupação crescente com o fato de esses dispositivos facilitarem o início do consumo de nicotina entre jovens e não fumantes, criando uma porta de entrada para o tabagismo convencional. Não há evidência de segurança a longo prazo dos cigarros eletrônicos e que evitá-los é uma medida prudente de proteção pulmonar.

Quando olhamos essas três estratégias em conjunto, a mensagem é clara e poderosa. Não fumar, e parar de fumar, reduz o risco. Rastrear corretamente salva vidas ao antecipar o diagnóstico. Evitar cigarros eletrônicos impede novos danos e dependência. Essas ações não exigem tecnologia futurista nem tratamentos complexos, mas sim informação de qualidade, acesso adequado à saúde e decisões conscientes.

Prevenir o câncer de pulmão e aumentar as chances de cura não depende apenas da medicina de alta complexidade! Depende, sobretudo, de escolhas sustentadas ao longo do tempo. E, nesse caso, a ciência é direta: o pulmão responde melhor quando o agressor sai de cena cedo e quando a doença é procurada antes de se manifestar.